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Homens armados fazem reféns em hotel de luxo no Mali

Pelo menos 27 pessoas morreram nesta sexta-feira em Bamako, a capital do Mali, em um atentado feito por um grupo de homens armados no hotel Radisson Blu, segundo a Missão das Nações Unidas em Mali. O governo, no entanto, afirma que 17 reféns e dois terroristas morreram. Homens armados entraram essa manhã (madrugada no Brasil) no estabelecimento e mantiveram presas durante algumas horas cerca de 170 pessoas – 140 clientes e 30 funcionários. O Ministério do Interior de Mali já anunciou que não há mais reféns no hotel.Homens armados nas imediações do hotel Radisson invadido em Bamako. / VÍDEO: REUTERS LIVE / FOTO: AFP

Um grupo jihadista afiliado a Al Qaeda, Al-Mourabioun, reivindicou a autoria do ataque, segundo informou a Reuters. O grupo está estabelecido no norte do Mali e é formado fundamentalmente por tuaregues e árabes. O envolvimento no ataque foi publicado no Twitter. A veracidade da mensagem, no entanto, ainda não foi confirmada.

O atentado começou de manhã, quando pelo menos dois indivíduos entraram no perímetro de segurança do estabelecimento usando um veículo com placa diplomática e abriram fogo contra os seguranças que estavam na portaria e ficaram feridos. As pessoas libertadas estão sendo levadas a um pavilhão esportivo situado no mesmo bairro, ACI 2000, a cerca de 500 metros dos estabelecimento hoteleiro. “Vejo chegar cidadãos da Alemanha, França, China, Índia e muitas outras nacionalidades”, assegura Bacary Diouara, que está a poucos metros do pavilhão.

Os assaltantes continuam dentro do hotel e, segundo um responsável do Ministério do Interior, sabe-se que são, ao menos, cinco pessoas. Outras fontes falam de até dez atacantes. Alguns dos reféns resgatados disseram que os terroristas tinham cintos explosivos.

O ataque ocorre um dia depois de o Governo espanhol se oferecer para substituir as tropas francesas em diversos países da África, especialmente na região do Sahel. Os planos do Ministério da Defesa incluem um reforço da presença militar espanhola no Mali e República Centro-Africana e também das forças de apoio que operam no Senegal. A maior mobilização militar espanhola – que ainda não foi oficializada – permitiria que as forças armadas francesas concentrem seus recursos na ofensiva da Síria, depois de o presidente François Hollande declarar guerra ao Estado Islâmico por causa dos atentados de sexta-feira passada em Paris, que deixaram 129 mortos e mais de 300 feridos.

Fontes de segurança disseram à Reuters que os invasores gritavam “Allahu akbar” (“Deus é grande”), o que sugere que se trata de um grupo de jihadistas. Essas fontes acrescentaram que os homens armados estão liberando alguns reféns, incluindo aqueles que são capazes de recitar versículos do Corão. Segundo a agência France Presse, duas mulheres foram resgatadas. Não há informações sobre a identidade dos agressores ou o grupo ao qual pertencem. A agência estatal chinesa Xinhua, citada pela BBC, disse que entre os reféns há vários cidadãos desse país. Seis funcionários de companhias aéreas turcas também estão entre os sequestrados.

Uma fonte próxima ao presidente francês, François Hollande, informou que também há cidadãos franceses entre os reféns. “Ainda estamos esperando informações mais precisas, que estão sendo verificadas. O presidente está acompanhando a situação muito de perto”, afirmou essa fonte. As autoridades francesas pediram a seus cidadãos em Bamako que não saiam de suas casas. Uma escola francesa e o Liceu Francês de Bamako fecharam as portas.

Vários moradores do bairro ACI 2000, que concentra embaixadas,HOTÉIS e órgãos públicos, disseram ter escutado rajadas de armas automáticas e pelo menos uma explosão no interior do hotel, que tem 190 quartos. Algumas fontes afirmaram que os disparos no interior do hotel procedem do sétimo andar. O Exército e a polícia, apoiados por soldados franceses da operação Barkhane e por efetivos da Missão das Nações Unidas (MINUSMA), se deslocaram até o local e estabeleceram um cordão de isolamento em torno do hotel.

O hotel Radisson é muito utilizado por funcionários de companhias aéreas, turistas e diplomatas, mas é também o lugar onde estão alojados nos últimos dias os líderes de vários grupos armados que operam no norte do Mali e que estão em Bamako para discutir o desenrolar de um acordo de paz assinado em junho.

“O grupo Rezidor [a companhia hoteleira que administra o Radisson] tomou conhecimento da tomada de reféns que está em curso neste 20 de novembro”, disse a empresa em uma nota divulgada em Londres. Inicialmente, circulou a informação de que apenas duas pessoas haviam invadido o hotel. “Nossas equipes de segurança e a equipe corporativa estão em constante contato com as autoridades locais para oferecer qualquer apoio possível para restabelecer a segurança no hotel”, acrescenta o comunicado da rede hoteleira, que tem sede nos Estados Unidos.

A cidade de Bamako só havia sofrido um atentado terrorista nos últimos anos, há oito meses, no bar La Terrasse, em pleno centro, um incidente que deixou cinco mortos. Mas as forças de segurança afirmaram ter impedido várias tentativas de ataques terroristas nos últimos meses, e por isso já estavam em estado de alerta.

Concretamente, o grupo terrorista que se mostrou mais ativo nos últimos meses é a Frente de Libertação de Macina, uma seita jihadista comandada por um pregador radical da região de Mopti, responsável por um sequestro ocorrido em agosto num hotel da localidade de Sevaré, no centro do país. Esse grupo também cometeu ataques nos últimos meses em locais próximos à fronteira do Mali com Burkina Faso. No entanto, não há confirmação de que a organização tenha envolvimento com o ataque desta sexta-feira.

Em mensagem no Twitter, a embaixada espanhola em Bamako recomendou que seus cidadãos evitem circular pela capital malinesa depois da “explosão e tiros” registrados no hotel Radisson.

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