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Condeúba: Dionísia Maria de Jesus 99 anos com muita lucidez

A Sra. Dionísia Maria de Jesus nasceu na Comunidade do São Domingos no dia 15 de dezembro de 1917 no município de Condeúba Filha de Benedito e Filismina, foi batizada na Igreja Católica, seus padrinhos foram Francisco e Josefa. Na tarde de domingo, 30 de abril de 2017 estivemos visitando a Sra. Dionísia que está morando nos Morrinhos dos Farias com seus sobrinhos José Ribeiro Farias e sua esposa Rita Farias.

Foi casada pela primeira vez com o Sr. Clemente e foram morar no Camisa município de Mortugaba. Eles sobreviviam da agricultura e sempre botava trabalhadores para ajudar nas lavoras, aqueles que mais precisavam, fiz muito favor e ajudei muito as pessoas, afirmou dona Dionísia.

Após a morte do Sr. Clemente, dona Dionísia se casou pela segunda vez com o Sr. Marciano Vitorino de Souza, mudando-se para a Fazenda Mundo Novo e depois se mudaram para o Olho D’água com quem viveu muitos anos, tiravam leite e fazia requeijão e vendiam para comprar roupas, calçados e outros, ela não sabe dizer quanto tempo foi.

Já no final da vida de seu segundo esposo o Sr. Marciano ele começou a caducar, entre tantas coisas diferentes que ele fazia, uma foi dormir em todos os cômodos da casa, cada noite dormia num cômodo diferente, dona Dionísia para não contrariar acompanhava seu esposo onde ele levasse a cama para dormir.

Dona Dionísia amava muito seu esposo Marciano de tal maneira que no dia em que ele morreu, ela desejou ter morrido com ele. Depois deste seu segundo marido que faleceu, ela resolveu a não se casar mais. Em nenhum dos casamentos dona Dionísia não teve filhos, talvez por esta razão ela foi muito caridosa com quem precisava.

Receita para viver bem e bastante: “Muita união, rezar, dormir bastante, não ter pressa e se alimentar bem”.

Dionisia 6

“Fui em São Paulo uma vez e fiquei por lá um mês, mas não gostei de lá não. Evitei um roubo de carro do meu parente José, à noite escutei um barulho aí eu me levantei aproximei no vitro da frente da casa e abri lentamente a cortina e lá na garagem eu avistei dois homens, um em cima do muro e o outro já dentro do carro do meu parente tentando ligar, aí voltei rapidamente e disse a ele José! Estão querendo roubar seu carro, ele se levantou abriu o vidro e gritou lá vai bala!!! Os marginais saíram correndo sem praticar o roubo”.

“Quase nasci no caminho da roça, contava minha mãe Filismina, que no dia que eu nasci ela ralou mandioca na roda de fazer farinha, depois ela se sentou para raspar mais um pouco de mandioca, aí se sentiu ânsia de vômito, mandaram chamar a parteira as pressas, quando ela chegou eu já havia nascido”.

“Eu e comadre Santina que era minha irmã sofremos muito, desde novas que trabalhávamos na roça, ainda me lembro que meu pai fez uma derrubada de mato, botou fogo, depois eu e ela foi quem retirou essa madeira todinha nas costa para fazer lenha. Agora eu estou gozando a vida graças a esses parentes maravilhosos que tenho, que me dão vida boa me tratam muito bem. Eu rezo pra eles todos os dias e peço a Deus ajudar a quem me ajuda”.

“Eu tenho noção do trabalho que dá para cuidar de uma pessoa velha em cima de uma cama, por isso que eu não arrisco ficar andando, por que não enxergo mais, aí fico com medo de me machucar”.

“Ainda me lembro, meu pai pegava os meninos a noite de luar, iam para o terreiro fazer cantiga de roda e ficavam até muito tarde da noite, acho que é por isso que eu não gosto de me levantar cedo”.

Ditados
Herança – Fiquei como tatu com o casco e o cu.
“Quem não quiser ficar velho, morre novo”.
“A gente só morre no dia certo”.

Histórias contadas por dona Dionísia:

“Certo dia eu fui buscar água no rio (córrego) e lá vem eu com essa lata d’água na cabeça, me enrosquei numas ramas de mato, caí, mas a água não derramou foi um milagre de Nossa Senhora.

Meu finado marido Marciano certa vez comprou 5 metros de pano para eu fazer uma camisola que era usado por baixo do vestido, mas eu usei só 3 metros e não ficou muito longo, quando ele ficou sabendo não gostou e me disse que era pra fazer uma camisola raspando no chão, eu respondi a ele que a casa não se varria com a barra da camisola e sim com vassoura. Ele me mandou ir para o inferno, fiquei aborrecida com aquilo e comecei arrumar minhas roupas, logo que ele me viu naquela arrumação, me perguntou pra onde vai? Eu respondi vou para casa dos meus parentes e não para o inferno como você me mandou. Marciano logo se ajoelhou diante dos meus pés e me pediu perdão pelo que ele tinha me dito, aí eu disse a ele que o perdoaria desde que ele não  repetisse mais aquelas palavras feias, concluiu dona Dionísia.

Meu falecido marido Marciano era de mal com um parente dele, que haviam discutido por que os porcos de um entrou na roça do outro, eles ficaram muito tempo sem se falar, um dia eu ia com ele num corredor e de lá estava vindo o dito parente ao encontro nosso, eu disse ao meu marido você salva (cumprimenta) ele, assim ele fez e daí em diante ficaram os maiores amigos passaram a rezar o ofício juntos.
A gente cantava assim nos Presépios:
“O cafezinho bem quente bem ligeiro,
quem não tem cachaça tem dinheiro,
eu cheguei aqui foi agora,
se eu não beber vou me embora”. Na mesma da hora sai o cafezinho”, risos…
Dona Dionísia foi disputada por José e Pedro para ver quem casaria com ela, e acabou ficando o José ganhando a para se casar, aí ele foi para São Paulo já com o casamento marcado e lá fizeram porqueira pra ele o que acabou morrendo por lá”, concluiu dona Dionísia.

Fotos: JFC

 

 

fonte:folhadecondeuba

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